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A NR1 dos Pets: O básico de A a Z que todo tutor precisa saber para garantir o bem-estar físico e emocional do seu animal

6 de janeiro de 2026

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Edição 06

Revista Alpinerz

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Quando falamos de bem-estar animal, muita gente pensa apenas em comida, água e abrigo. Mas hoje sabemos que um pet — seja cão ou gato — precisa muito mais do que isso para viver plenamente. Ele precisa de estímulo, segurança, companhia, rotina e, sobretudo, de proteção. É aqui que entram as leis brasileiras, que formam uma espécie de “NR1 dos pets”, um conjunto mínimo de regras e princípios para orientar tutores e garantir a dignidade dos animais.

Embora a legislação não use o termo “saúde mental”, ela cria exatamente as condições que permitem a um animal ter estabilidade emocional, segurança afetiva e bem-estar diário. A seguir, você verá quais são e como essas normas funcionam na prática!

A base de tudo: Constituição Federal — Artigo 225

A Constituição de 1988 determina que o Estado e a sociedade devem proteger a fauna, vedando práticas de crueldade. Isso significa que o Brasil reconhece que animais não podem sofrer, e que o bem-estar deles é interesse público — não apenas privado.

Na vida prática:

  • tutores podem ser denunciados por negligência grave;
  • a comunidade tem legitimidade para denunciar maus-tratos;
  • autoridades devem agir quando há sofrimento físico ou emocional.

Lei 9.605/1998 — A Lei de Crimes Ambientais

O artigo 32 tipifica como crime abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar qualquer animal, incluindo cães e gatos. Apesar de não citar comportamento ou estresse, a lei abrange omissão, e isso é crucial: deixar de proporcionar condições mínimas de bem-estar também é crime.

O que isso significa no dia a dia?

  • manter o pet em local insalubre, isolado ou acorrentado o dia todo configura maus-tratos;
  • privar o animal de estimulação, interação e movimento pode ser interpretado como abuso;
  • agressões físicas, gritos, punições severas e tratamentos cruéis são ilegais.

O bem-estar emocional entra justamente nesse ponto: se um animal vive com medo, tensão constante ou solidão extrema, há sofrimento — e sofrimento é o que a lei se propõe a coibir.

Lei 14.064/2020 — A Lei Sansão

Essa lei alterou a Lei de Crimes Ambientais e criou punição específica para maus-tratos contra cães e gatos, com pena de 2 a 5 anos de reclusão, multa e proibição de guarda.

Essa alteração deixou claro que a sociedade brasileira reconhece que cães e gatos são hiperdependentes dos humanos e, portanto, mais vulneráveis física e emocionalmente.

Aplicação prática:

  • qualquer agressão física, abandono ou negligência grave pode levar à prisão;
  • deixar o animal preso em espaço minúsculo, sozinho por longos períodos ou sem cuidados é enquadrado como maus-tratos;
  • tutores têm responsabilidade legal direta pelo estado físico e emocional do pet.

Projetos em andamento: o Estatuto dos Cães e Gatos e a Política Nacional de Bem-Estar

Nos últimos anos, avançaram propostas que reconhecem explicitamente a necessidade de proteger o bem-estar global dos animais, incluindo aspectos emocionais.

O Estatuto dos Cães e Gatos, em tramitação, propõe estabelecer direitos básicos para os pets, como:

  • ambiente adequado,
  • estímulo físico e mental,
  • convívio social,
  • cuidados de saúde continuados,
  • proteção contra medo, dor e sofrimento.

Já o projeto de Política Nacional de Proteção e Bem-Estar dos Animais Domésticos cria obrigações diretas aos tutores para garantir qualidade de vida aos pets — não só ausência de doença.

Essas propostas refletem uma tendência mundial: reconhecer que bem-estar emocional também é bem-estar.

Como tudo isso protege a “saúde mental” dos animais?

Quando falamos em saúde mental animal, estamos falando de quatro pilares que as leis brasileiras indireta (e algumas diretamente) ajudam a proteger:

Segurança:

Ambientes violentos, inseguros e imprevisíveis causam ansiedade crônica em pets.
As leis impedem agressões, negligência e abandono.

Estabilidade:

Rotina, previsibilidade, alimentação adequada, sono e interação fazem parte do bem-estar emocional. A legislação responsabiliza tutores por fornecer esses cuidados.

Vínculo:

Pets precisam de interação – com humanos e com outros animais. O isolamento prolongado é reconhecido como sofrimento.

As normas sobre maus-tratos incluem omissão de cuidado e privação social.

Expressão natural:

Cães precisam se movimentar; gatos precisam explorar. Privar o animal de suas necessidades naturais pode ser interpretado como abuso.

O essencial da NR1 dos pets

O tutor precisa garantir que o animal viva sem medo, sem dor e sem estresse contínuo — e isso não é apenas ética: é lei.

O país caminha para reconhecer que cães e gatos têm necessidades físicas e emocionais, e que proteger esses animais é proteger vidas que dependem totalmente de nós.

Se existe uma “NR1 dos pets”, ela pode ser resumida assim: garanta cuidado, vínculo, segurança e dignidade — porque a lei exige, e porque o amor também.

Veterinária | Fisioterapeuta | Especializando-se em Felinos

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