Quando falamos de bem-estar animal, muita gente pensa apenas em comida, água e abrigo. Mas hoje sabemos que um pet — seja cão ou gato — precisa muito mais do que isso para viver plenamente. Ele precisa de estímulo, segurança, companhia, rotina e, sobretudo, de proteção. É aqui que entram as leis brasileiras, que formam uma espécie de “NR1 dos pets”, um conjunto mínimo de regras e princípios para orientar tutores e garantir a dignidade dos animais.
Embora a legislação não use o termo “saúde mental”, ela cria exatamente as condições que permitem a um animal ter estabilidade emocional, segurança afetiva e bem-estar diário. A seguir, você verá quais são e como essas normas funcionam na prática!

A base de tudo: Constituição Federal — Artigo 225
A Constituição de 1988 determina que o Estado e a sociedade devem proteger a fauna, vedando práticas de crueldade. Isso significa que o Brasil reconhece que animais não podem sofrer, e que o bem-estar deles é interesse público — não apenas privado.
Na vida prática:
- tutores podem ser denunciados por negligência grave;
- a comunidade tem legitimidade para denunciar maus-tratos;
- autoridades devem agir quando há sofrimento físico ou emocional.

Lei 9.605/1998 — A Lei de Crimes Ambientais
O artigo 32 tipifica como crime abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar qualquer animal, incluindo cães e gatos. Apesar de não citar comportamento ou estresse, a lei abrange omissão, e isso é crucial: deixar de proporcionar condições mínimas de bem-estar também é crime.
O que isso significa no dia a dia?
- manter o pet em local insalubre, isolado ou acorrentado o dia todo configura maus-tratos;
- privar o animal de estimulação, interação e movimento pode ser interpretado como abuso;
- agressões físicas, gritos, punições severas e tratamentos cruéis são ilegais.
O bem-estar emocional entra justamente nesse ponto: se um animal vive com medo, tensão constante ou solidão extrema, há sofrimento — e sofrimento é o que a lei se propõe a coibir.

Lei 14.064/2020 — A Lei Sansão
Essa lei alterou a Lei de Crimes Ambientais e criou punição específica para maus-tratos contra cães e gatos, com pena de 2 a 5 anos de reclusão, multa e proibição de guarda.
Essa alteração deixou claro que a sociedade brasileira reconhece que cães e gatos são hiperdependentes dos humanos e, portanto, mais vulneráveis física e emocionalmente.
Aplicação prática:
- qualquer agressão física, abandono ou negligência grave pode levar à prisão;
- deixar o animal preso em espaço minúsculo, sozinho por longos períodos ou sem cuidados é enquadrado como maus-tratos;
- tutores têm responsabilidade legal direta pelo estado físico e emocional do pet.

Projetos em andamento: o Estatuto dos Cães e Gatos e a Política Nacional de Bem-Estar
Nos últimos anos, avançaram propostas que reconhecem explicitamente a necessidade de proteger o bem-estar global dos animais, incluindo aspectos emocionais.
O Estatuto dos Cães e Gatos, em tramitação, propõe estabelecer direitos básicos para os pets, como:
- ambiente adequado,
- estímulo físico e mental,
- convívio social,
- cuidados de saúde continuados,
- proteção contra medo, dor e sofrimento.

Já o projeto de Política Nacional de Proteção e Bem-Estar dos Animais Domésticos cria obrigações diretas aos tutores para garantir qualidade de vida aos pets — não só ausência de doença.
Essas propostas refletem uma tendência mundial: reconhecer que bem-estar emocional também é bem-estar.
Como tudo isso protege a “saúde mental” dos animais?
Quando falamos em saúde mental animal, estamos falando de quatro pilares que as leis brasileiras indireta (e algumas diretamente) ajudam a proteger:
Segurança:
Ambientes violentos, inseguros e imprevisíveis causam ansiedade crônica em pets.
As leis impedem agressões, negligência e abandono.
Estabilidade:
Rotina, previsibilidade, alimentação adequada, sono e interação fazem parte do bem-estar emocional. A legislação responsabiliza tutores por fornecer esses cuidados.
Vínculo:
Pets precisam de interação – com humanos e com outros animais. O isolamento prolongado é reconhecido como sofrimento.
As normas sobre maus-tratos incluem omissão de cuidado e privação social.
Expressão natural:
Cães precisam se movimentar; gatos precisam explorar. Privar o animal de suas necessidades naturais pode ser interpretado como abuso.

O essencial da NR1 dos pets
O tutor precisa garantir que o animal viva sem medo, sem dor e sem estresse contínuo — e isso não é apenas ética: é lei.
O país caminha para reconhecer que cães e gatos têm necessidades físicas e emocionais, e que proteger esses animais é proteger vidas que dependem totalmente de nós.
Se existe uma “NR1 dos pets”, ela pode ser resumida assim: garanta cuidado, vínculo, segurança e dignidade — porque a lei exige, e porque o amor também.
