“Confia no Senhor de todo o teu coração
e não te estribes no teu próprio entendimento.” Mishlei / Provérbios 3:5
Num primeiro momento, vamos entender essa passagem Bíblica muito conhecida, mas pouco compreendida, porque nos lembra que a verdadeira sabedoria não está apenas no que conseguimos compreender com a nossa lógica, mas em confiar plenamente em Deus.
Reflexão rápida:
- Confiança total: “de todo o teu coração” indica entrega completa, sem reservas.
- Limite do entendimento humano: “não te estribes” significa não se apoiar, não depender apenas da própria razão.
- Direção divina: o contexto do capítulo mostra que, ao confiar em Deus, Ele endireita os nossos caminhos.
Esse versículo é, muitas vezes, usado em momentos de decisão ou incerteza, como um convite à fé e à rendição.
Se você não é uma pessoa de Fé, tudo bem. Antes de AGIR, pare alguns momentos e coloque nos 2 pratos da sua balança interna os pontos da sua escolha. Com calma analise, a resposta virá. Siga-a, se der certo celebre, você escutou corretamente. Se não der certo, você aprendeu e será ainda mais cirúrgico[a] na próxima.
À primeira vista, esse provérbio parece apenas espiritual ou religioso.
Contudo ele descreve, com precisão cirúrgica, um dos maiores dilemas do cérebro do líder moderno: o esgotamento causado pela tentativa de controlar tudo sozinho.
Na neurociência, isso tem nome e sobrenome: Eixo HPA (Hipotálamo–Pituitária–Adrenal).
Quando a pessoa se “estriba no próprio entendimento” — ou seja, acredita que só ela pensa certo, decide certo e sustenta tudo — o cérebro entra em modo de hipervigilância.
O roteiro é previsível e comprovável:
- Pensamento excessivo
- Autocobrança elevada
- Medo de errar
- Necessidade de controle
Resultado dessa realidade: cortisol cronicamente alto.
O cérebro entende assim: “Se eu relaxar, algo vai dar errado.”
Já a confiança — aqui significa entrega consciente, não passividade — ativa outro circuito:
- Redução do cortisol
- Liberação de oxitocina
- Maior sensação de segurança interna
- Melhor integração entre emoção e razão
Com menos ruído emocional, o córtex pré-frontal volta a funcionar como um bom CEO: decisões mais claras, estratégicas e humanas.
Sabedoria milenar, validação científica.
Agora, traduzindo isso para a liderança e a vida real, no modo arroz com feijão:
• Controle excessivo = cérebro em alerta
O líder que tenta prever tudo vive em tensão constante. O corpo paga a conta.
• Confiança = regulação emocional
Confiar não é largar; é compartilhar carga cognitiva. O cérebro agradece.
• Delegar é um ato neuroprotetor
Quando você delega, reduz a sobrecarga do Eixo HPA e preserva energia mental para decisões críticas.
• Entrega gera lucidez
Menos ansiedade, mais clareza. Menos reatividade, mais visão sistêmica.
Em outras palavras: confiança não é fraqueza — é estratégia de sobrevivência neural.
Atividade Prática Neuro-Salomônica para esta semana com aplicação direta na liderança:
- Delegue com critérios claros
- Confie nos processos, não só nas pessoas
- Pare de tentar sustentar tudo no braço
- Treine o cérebro para sair do modo ameaça
- Valorize e dedique 2 minutos a cada hora para respirar profundo, andar, beber água, olhar pela janela. Depois retorne ao seu lugar de trabalho.
Confiança é o caminho da homeostase — o equilíbrio interno que sustenta desempenho no longo prazo.
Quanto mais alto o cargo, maior a necessidade de aprender a entregar.
Não por Fé cega, mas por Inteligência Emocional e Neurobiológica.
Sabedoria antiga. Ciência atual. Liderança sustentável entregue em suas mãos tijolo a tijolo.
Juntos até o TOPO. 🌄